Lua Nova de Elul
Entre o verão que se dobra
e o outono que sussurra,
ergue-se Elul
lua fina, faca de prata,
cortando o tempo em silêncio.
Os campos já não gritam colheitas,
os rios carregam espelhos fundos
onde os justos lavam seus nomes.
Até os pássaros,
esses loucos cantores
ficam quietos,
de bicos fechados,
ouvindo o shofar invisível
que só toca no peito.
O mercador conta suas moedas,
o poeta, suas palavras vazias.
Até o mendigo na esquina
rei sem coroa
revira os bolsos,
achando migalhas de perdão.
De noite, as estrelas piscam códigos:
"Quem tem medo do ano que vem?"
E a lua, sempre ela,
velha fiandeira
tece fios de mel
sobre os telhados.
Elul não é mês, é portal.
Passagem estreita
onde até as sombras
precisam de luz.
Que comece a dança dos arrependidos.
O céu está pronto
para escutar. Paulo Franco.
Rosh Chodesh Elul
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