sábado, 16 de agosto de 2025

Lua Nova de Elul

 

Lua Nova de Elul


Entre o verão que se dobra

e o outono que sussurra,

ergue-se Elul

lua fina, faca de prata,

cortando o tempo em silêncio.


Os campos já não gritam colheitas,

os rios carregam espelhos fundos

onde os justos lavam seus nomes.

Até os pássaros,

esses loucos cantores

ficam quietos,

de bicos fechados,

ouvindo o shofar invisível

que só toca no peito.


O mercador conta suas moedas,

o poeta, suas palavras vazias.

Até o mendigo na esquina

rei sem coroa

revira os bolsos,

achando migalhas de perdão.


De noite, as estrelas piscam códigos:

"Quem tem medo do ano que vem?"

E a lua, sempre ela,

velha fiandeira

tece fios de mel

sobre os telhados.


Elul não é mês, é portal.

Passagem estreita

onde até as sombras

precisam de luz.


Que comece a dança dos arrependidos.

O céu está pronto

para escutar.                     Paulo Franco.


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