
A Festa de Purim: Uma Dança de Destinos Entre Sombras e Luz
Era uma vez, em um reino distante, onde o tempo tecia suas tramas entre o sol e a lua, uma história que se desdobrava como um pergaminho sagrado, cheio de reviravoltas, traições e milagres. Era a história de Purim, uma festa que celebrava a vitória da luz sobre as sombras, da coragem sobre o medo, da vida sobre a morte.
No palácio de Susã, sob o céu cor de âmbar da Pérsia, o rei Assuero reinava com mão firme, cercado por cortesãos e intrigas. Em seu trono de marfim e ouro, ele era um homem de caprichos, um soberano que podia elevar ou destruir com um simples aceno de sua mão. Foi assim que, em um banquete suntuoso, a rainha Vasti foi banida, e o reino ficou à procura de uma nova soberana.
Eis que surge Ester, uma jovem judia de beleza serena e coração valente. Órfã, criada por seu primo Mordechai, ela carregava em seu sangue a memória de um povo exilado, mas em seu peito batia a força de quem sabia que o destino é uma dança entre o divino e o humano. Escolhida para ser rainha, Ester escondeu sua origem, como uma pérola que brilha nas profundezas do mar, à espera do momento certo de emergir.
Enquanto isso, nas sombras do poder, Hamã, o arrogante conselheiro do rei, tramava sua vingança contra Mordechai, que se recusava a curvar-se diante de sua vaidade. Hamã, cego pelo ódio, decidiu não apenas destruir Mordechai, mas todo o povo judeu. Com a autorização do rei, ele lançou um decreto de morte, marcando um dia para o extermínio.
Foi então que Ester, guiada pela sabedoria de Mordechai e pela fé em seu Deus, decidiu agir. Em um ato de coragem que ecoaria através dos séculos, ela se apresentou diante do rei, arriscando a própria vida para salvar seu povo. Com palavras firmes e coração puro, ela revelou sua identidade e desmascarou os planos de Hamã.
O destino, como um fio dourado, teceu sua trama: Hamã caiu em sua própria armadilha, Mordechai foi elevado à honra, e os judeus receberam o direito de se defender. No dia marcado para a destruição, eles triunfaram sobre seus inimigos, e a alegria inundou as ruas de Susã.
E assim, Purim nasceu, uma festa que celebra a vitória do bem sobre o mal, a fé sobre o desespero, a união sobre a divisão. Até hoje, os judeus leem a Meguilá de Ester, vestem-se com máscaras e disfarces, comem doces e bebem vinho, lembrando que, mesmo nas horas mais escuras, a luz pode surgir, e que o destino, por mais que pareça incerto, está sempre nas mãos daqueles que ousam crer e lutar.
Paulo Franco, em sua prosa poética, diria que Purim é mais que uma festa; é um canto à vida, uma ode à resistência, um lembrete de que, por trás de cada máscara, há um rosto, e por trás de cada rosto, uma história que merece ser contada. E assim, ano após ano, o povo judeu dança, ri e celebra, porque Purim é a prova de que, no grande teatro da existência, o bem sempre terá a última palavra. Paulo Franco.